Há uma pergunta que aparece sempre que se fala em rebranding — às vezes em voz alta, outras vezes só no olhar de quem está na reunião: “Mas vão mudar o logo, certo?”
A resposta curta: talvez.
A resposta honesta: isso é o menos importante.
Porque rebranding não começa no design. Começa antes — naquilo que a marca é, no que quer ser e, acima de tudo, na forma como é percebida.
O logo é só a parte visível da mudança. Aquela que toda a gente comenta. Mas o que realmente faz diferença está por baixo: posicionamento, tom de voz, narrativa, coerência.
É isso que redefine uma marca.
Quando uma empresa decide fazer rebranding, raramente é por estar “cansada” do visual. Há sempre uma mudança maior por trás — crescimento, reposicionamento, novos mercados, nova ambição.
E é aí que tudo começa a mexer.
A forma como fala.
A forma como se apresenta.
A forma como quer ser lembrada.
O design entra depois, quase como consequência.
E é aqui que muitas coisas correm mal.
Quando o rebranding se limita a mudar cores e tipografias, sem tocar na essência, o resultado costuma ser… estranho. A marca parece diferente, mas sente-se igual. Ou pior: parece que está a tentar ser algo que não é.
E isso nota-se.
Por outro lado, quando a mudança é real, o impacto é claro — mesmo que o logo nem tenha mudado assim tanto.
A Pepsi, por exemplo, já passou por várias atualizações visuais, mas o que foi mudando ao longo do tempo foi a forma como se posiciona culturalmente. Mais jovem, mais pop, mais alinhada com tendências.
A Fanta fez algo semelhante — não foi só um refresh gráfico, foi uma mudança de atitude. Tornou-se mais irreverente, mais próxima, mais divertida.
E depois há casos como a Jaguar, que mostram exatamente o contrário: quando há uma tentativa de reposicionamento sem uma base sólida (ou sem uma perceção clara do público), a reação pode ser… complicada.
Porque no fim, o rebranding não acontece no PowerPoint. Acontece na cabeça das pessoas. Não é o que a marca diz que mudou – é o que o público sente que mudou.
E isso não se resolve com um novo manual de normas gráficas.
Resolve-se com consistência, clareza e tempo.
Por isso, quando alguém pergunta se rebranding é “só mudar o logo”, a resposta certa é outra pergunta: o que é que realmente precisa de mudar?
Porque se a resposta for “tudo o resto”… então sim, faz sentido começar.
Assinado:
A equipa da DUDE – ca saber que o logo é só a ponta do iceberg.