“Queremos algo moderno, mas clássico. Jovem, mas maduro. Diferente, mas igual ao concorrente.”
E nós, do lado da agência, olhamos para aquilo e pensamos: ok… por onde é que começamos? A verdade é que o briefing foi criado para orientar, mas muitas vezes acaba por limitar. E se o tratarmos como um manual sagrado, o resultado será previsível e ninguém quer um projeto que pareça um formulário bem preenchido.
A ilusão do briefing perfeito
Toda a gente quer acreditar no mito do briefing perfeito: aquele documento cristalino, com objetivos claros, público-alvo definido e referências inspiradoras. Mas aqui vai uma verdade inconveniente, esse briefing não existe.
O briefing perfeito é o que abre perguntas, não o que as fecha. Porque quando tudo está “demasiado definido”, o espaço para a criatividade evapora. E se o cliente soubesse exatamente o que queria, não precisava de uma agência criativa, precisava de um estúdio de produção.
Porque “seguir o briefing” nem sempre é a melhor estratégia
Quantas vezes já ouviste alguém dizer: “O cliente pediu assim, nós apenas seguimos o briefing”? Pois. E quantas dessas campanhas ficaram na memória?
Seguir o briefing à risca pode parecer seguro, mas é o caminho mais rápido para o óbvio.
O verdadeiro trabalho criativo começa quando o questionamos, quando olhamos para uma frase confusa e pensamos:
“O que é que o cliente queria dizer com isto?”
Interpretar não é desobedecer; é compreender a intenção por trás das palavras. E é aí que nasce a diferença entre entregar “algo correto” e criar “algo marcante”.
O valor da conversa entre cliente e agência
Um bom briefing é uma conversa, não um ficheiro em PDF. É o momento em que o cliente explica o que sente, não apenas o que quer.
Quando há diálogo, o briefing deixa de ser uma lista de tarefas e passa a ser uma construção conjunta. É ali, nas perguntas, nas hesitações e até nas contradições, que se encontra o ouro.
As melhores ideias não aparecem no documento inicial, nascem entre um “e se…” e um “espera lá, isso faz sentido”. Por isso, em vez de pedir um briefing de 12 páginas, pede meia hora de conversa. Vai sair de lá com mais insights e menos PowerPoint.
Projetos que melhoraram ao questionar o briefing
Quase todos os grandes projetos começam com um “isso não estava no briefing”. E ainda bem.
Foi assim que campanhas ganharam vida própria, identidades visuais encontraram propósito e marcas descobriram o que realmente queriam comunicar. Porque, às vezes, o cliente pensa que precisa de um novo logótipo mas o que falta é uma nova história. Ou acredita que quer uma cor diferente, mas o problema é o posicionamento.
Quando a agência questiona com empatia, o projeto cresce. Não porque contrariou o cliente, mas porque o ajudou a ver o que ele ainda não tinha visto.
Como transformar um briefing confuso num ponto de partida criativo
Primeiro, respira. Depois, lê o briefing como quem lê entrelinhas.
Procura intenções, não instruções. Substitui o “como é que eu faço isto?” por “porque é que isto importa?”. E se algo soar contraditório, não é erro é oportunidade para conversar.
A criatividade não nasce de regras perfeitas, mas de interpretações inteligentes. O briefing é o ponto de partida; o destino constrói-se em conjunto.
No fim, o briefing é só uma bússola (e o resto é café e conversa)
O briefing ajuda a orientar, mas não dita o caminho. É a conversa, a empatia e o instinto que transformam direções vagas em ideias com alma.
Por isso, da próxima vez que receberes um briefing de 12 páginas, não te assustes. Lê, questiona, conversa, rabisca, discorda e só depois cria.
Porque bons briefings fazem projetos certos. Mas boas conversas fazem projetos incríveis.
Na DUDE, vivemos para essas conversas. Transformamos PDFs em parcerias, intenções em ideias e briefings confusos em projetos que respiram propósito.
Se quiseres ver o que acontece quando a criatividade não tem GPS, mas tem direção — let’s talk.
Assinado: A equipa da DUDE — criativos fluentes em “briefing”, “estratégia”, “conversa” e “português com café.” ☕️