Um fala em “hierarquia visual” e o outro em “pôr o logótipo maior”.
Um vê uma paleta de cores equilibrada; o outro vê “muito branco”.
Mas, no fundo, ambos querem o mesmo: um projeto que funcione, comunique e faça sentido.
Só que falam dialetos diferentes da mesma língua, a da intenção.
O designer quer resolver um problema. O cliente quer evitar um erro.
O designer olha para um briefing e pensa: “Como posso resolver isto da melhor forma possível?”
O cliente olha para o mesmo briefing e pensa: “Como evito que isto corra mal?”
Parece um detalhe pequeno, mas muda tudo.
Um está a pensar em soluções criativas; o outro, em riscos reais.
Enquanto o designer quer surpreender, o cliente só quer dormir descansado.
No fundo, é o mesmo instinto: acertar.
Um com curiosidade, o outro com cautela. E ambos com café.
Quando dizemos “minimalista”, eles ouvem “vazio”.
Palavras são armadilhas.
Quando um designer diz “limpo”, o cliente pode ouvir “sem nada”.
Quando o designer fala em “ousado”, o cliente entende “estranho”.
E quando o designer diz “conceptual”, o cliente pensa “não percebo, mas deve ser caro”.
O truque? Mostrar, não explicar.
Design é linguagem visual e o cliente só vai entender quando vir.
Um mockup, uma referência e até um rabisco num guardanapo, podem poupar uma hora de PowerPoint.
No fundo, o cliente não quer um discurso técnico. Quer sentir que aquilo faz sentido.
E isso não se explica, mostra-se.
O briefing é o primeiro tradutor (e o mais maltratado).
Há briefings que chegam e parecem poesia experimental:
“Queremos algo moderno, mas clássico. Inovador, mas familiar. Sofisticado, mas simples.”
Ou seja… o Santo Graal do design.
Mas o briefing não é o vilão, é o primeiro ponto de encontro entre dois mundos.
É onde o designer aprende o que o cliente realmente quer dizer quando diz “moderno”.
E onde o cliente descobre que “inovador” não significa pôr um gradiente em tudo.
Um bom briefing é uma conversa, não um formulário.
É o momento em que o cliente se sente ouvido e o designer percebe o que deve e o que não deve fazer.
Feedback não é ataque pessoal.
Há uma frase que assusta qualquer designer: “Não gostei.”
Mas o segredo está em ouvir o que vem depois.
Na maioria das vezes, o cliente não está a criticar o trabalho, está a tentar perceber como a peça comunica.
O problema é que feedback é emoção disfarçada de opinião.
E quando o designer reage com defesa em vez de curiosidade, perde-se o diálogo.
A resposta certa não é “Mas isso está no manual de marca.”
É “Ok, o que o faz sentir isso?”
Feedback não é batalha de egos. É ajuste de sintonia.
E quanto mais cedo isso for claro, menos revisões e mais cafés partilhados.
O segredo: empatia com tradução simultânea.
Designers e clientes são parceiros, não adversários.
Um tem a visão, o outro tem o contexto.
Um domina a estética, o outro conhece o público.
E quando cada um respeita o território do outro, acontece a magia: a ideia ganha forma e propósito.
Tradução simultânea é isto: perceber o que o outro quer dizer, não só o que ele disse.
É ouvir “pôr o logótipo maior” e entender “tenho medo que a marca passe despercebida”.
É ouvir “não gosto dessa cor” e perceber “isso não representa o que vendemos”.
Empatia é o melhor software que um designer pode instalar.
Atualiza automaticamente todas as versões de “pôr o logótipo maior”.
No fim, é tudo comunicação (e café).
No fundo, designers e clientes não são opostos, são coautores da mesma história.
A diferença é que um escreve em shapes e o outro em números.
Mas ambos querem que o público leia e entenda.
Por isso, antes da próxima reunião, esquece o “lado certo” da conversa.
Leva empatia, um rascunho… e talvez um café. Ajuda sempre na tradução.
Comunicar bem é o segredo de qualquer projeto.
Na DUDE, passamos anos a afinar esta tradução entre criativos e clientes.
Transformamos ideias vagas em identidades fortes, briefings confusos em conceitos claros e relações em parcerias duradouras.
Como? Falando. Muito.
Reunimos, rabiscamos, rimos e pensamos com quem confia em nós, porque só assim o design deixa de ser “serviço” e passa a ser colaboração.
No fim, comunicar bem não é só sobre design.
É sobre perceber pessoas.
Assinado: A equipa da DUDE — criativos fluentes em “design”, “briefings”, “comunicação” e “português com café.” ☕️